terça-feira, 26 de agosto de 2008

Seria a História uma ciência?


Não há menos beleza numa equação exata do que numa frase correta.
Marc Bloch




Minha resposta a essa pergunta pode ser vista como anárquica, mas não gosto de prender a História às amarras da ciência. Por isso não a vejo como tal.
História para mim é algo que não está acima ou abaixo de ciência, simplesmente não faz parte dela. História é História. Como uma categoria distintiva da ciência.

Tal preocupação era pertinente num contexto de reconhecimento e legitimação da História enquanto disciplina. Mas acho que passado esse momento, as discussões sobre essa matéria já deveriam ter avançado. No mundo em que vivemos, um trabalho não legítimo perde sua força de ação. Contudo, há coisas mais importantes do que a discussão acerca da cientificidade ou não da História. Alias, vejo a discussão sobre a cientificidade de qualquer matéria um tanto vazia, para o momento em que vivemos.

A meu ver, deveríamos nos preocupar com os usos que fazemos da História, em seus aspectos individuais e coletivos.

Semana passada, ao terminar um texto do Hartog, em que ele entoa Certeau através da questão: "o que é que eu estou fazendo quando faço história?", me peguei pensando sobre isso, como se fosse uma conclamação aos que fazem História. Uma reflexão necessária, ao mesmo tempo individual e coletiva.

Por que, pra que, pra quem fazemos História? A resposta a estas perguntas deveria funcionar como guia de nossos trabalhos. Acredito que o trabalho do historiador deve estar para além da Academia. Escrever para o mundo e não para “um mundo”. Um mundo fechado e que insiste em não se abrir, em não se reciclar. Pra quem falamos de verdade?

Um trabalho historiográfico deve ter um sentido e finalidade acima do reconhecimento ou realização pessoal, deve ter um sentido coletivo, um sentido sócio-político efetivo.

Não quero dizer com isso que apenas História Política ou temas sociais tenham vez enquanto trabalho de historiador. Todos os temas têm sua vez, a questão não é o que se trabalha, mas como se trabalha. Assim, mesmo um trabalho de micro-história, se não trabalhado de forma superficial, se bem contextualizado, se produzido de forma a falar com “o mundo”, também será um verdadeiro trabalho histórico, ao menos na concepção defendida por mim.
Minha preocupação é com a História que não vem do coração e fala para poucos. Uma produção historiográfica comercializada, feita a toque de caixa e para a manutenção seja do status pessoal, seja do pão “seu” de cada dia.Quero que meu trabalho, que nossos trabalhos, tenham sentido, por quê, pra que e pra quem. É disso que sinto falta. É isso que os convido a refletir.

domingo, 24 de agosto de 2008

A genialidade do "ou não" de Caetano



Em meu primeiro post já deu pra perceber o uso deliberado de uma clássica expressão nacional, o famoso "ou não" de Caetano Veloso. Ao meu ver, esta grande sacação merece o "Troféu Joinha"* pelas possibilidades que apresenta em seu uso cotidiano, já que ao verbalizá-la, nos eximimos de qualquer responsabilidade de afirmação unilateral, garantindo a nossa fala, uma bipolaridade conveniente.Já pensaram nisso?
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Ao lado de "tchu in tchu in tchum claim", nosso nacionalíssimo e bahianíssimo "ou não" garante versatilidade, originalidade, e leveza a qualquer fala.
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São por essas e outras rezão, que venero e utilizo está célebre expressão.
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Ou não...


*A expressão Troféu Joinha não é de minha autoria, me foi apresentada por meu amigo Nemuel, de forma que desconheço a autoria, mas repasso os créditos.

Mais um blog para a lista!!!



Como já é de tradição e de acordo com meu estado de espírito e vontade, crio mais um blog. Tem gente que leva isso a sério, não é que esse não seja meu caso, eu realmente levo a sério, do meu jeito de levar a sério, todas as vezes que me proponho - e o faço - a criar um blog. Acontece que nem sempre tenho tempo, e a correria da vida acaba por deslocar o blog da minha lista de prioridades. É por isso que eles somem e/ou caem no esqucimento.
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Será este mais um caso? Espero que não.
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Não me forçarei a escrever, virei quando der na telha. Tão pouco divugarei-o loucamente, como fiz das vezes anteriores. Pequenas divulgações serão sufucientes e feitas no mesmo rítimo da escrita: a sabor de minhas vontades.
Gosto de escrever. E este blog nasce da conjunção de influências e energias do momento em que vivo.
Momento Prosaica, momento apaixonada, momento feliz e realizada, ou em vias de.
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Bem é isso...
Os post virão... ou não... o blog sobreviverá... ou não...Mas agora, bem, agora isso é o que quero...Ou não...