segunda-feira, 8 de dezembro de 2008




A Flor de Solange

Andando pelas ruas do Pelourinho em Salvador, eis que me deparo com uma senhora que me presenteia com uma flor. Diz-me que seu nome é Solange e me pergunta qual a língua mais difícil do mundo?
Respondo: _ O português! E ela me lista uma série de palavras, fala sobre sua vida, seu dia, pergunta de onde eu sou e diz que já morou no Rio... Figuravas de Salvador... Figuras do mundo... Figuras da vida...
Mais tarde um dos gringos que está hospedado no mesmo albergue que eu, me perguntou a diferença entre Rio e Salvador... Perguntinha difícil essa... Mas eu respondi que são as pessoas... o que pra mim é mais uma verdade do que uma resposta de fuga.
Isso porque nos últimos tempos cada vez mais eu tenho me desiludido com os cariocas e me encantado com o resto dos brasileiros... A cada encontro estudantil de História, onde posso ter uma contato grande com pessoas de todo o Brasil, ou mesmo em cada viagem que faço, me desanimo com a postura prepotente do carioca e me animo de ver quanta beleza há no resto do país. Beleza natural e humana.
Mas voltemos a flor, já que ela é a inspiração destas linhas. Uma flor amarela, de uma mulher radiosa. Me disse que eu era linda e não me pediu dinheiro. E mesmo por detrás do sorriso espaço, havia beleza em seu olhar...
Ontem eu ouvi de uma menina que acabara de conhecer: _ que tem coisas na vida que lembraremos pra sempre... E eu disse: Ainda bem!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sobre hora de crescer

Será que existe uma hora exata para crescermos? Uma idade fixa?

Uma vez ouvi dizer que se vai ao pediatra até os 20 anos... Já estou com 24...

Eu não passei por muitas crises, dessas pós-modernas: crise de infância, adolescência, dos 40... sei lá...

Mas acho que estou no meio de uma... ou só firulando um pouco as coisas. Confesso que torço pela segunda opção!

...

Mas o fato é que sempre achei que crescer era ter as rédeas de sua própria vida. Isso na minha cabeça sempre se configurou com a imagem de uma casa e/ou família. Sabe... o momento de ruptura, onde se deixa o núcleo habitual de nascença e se constituí um novo.

Começo a ver que as coisas não são bem assim.

Na verdade ao longo de nossa vida nos são dadas pequenas responsabilidades (turbulênciasinhas), acho que para que nos acostumemos, paulatinamente, com esses engodos que fazem parte da vida. E que num momento que creio eu ter uma data singular para cada ser humano, eclodem todos ao mesmo tempo. Em maior ou menor escala.

Acho que me encontro numa escala richter pouco elevada... Devo estar no nível 2... Mas não sei se a questão que se coloca aqui é exatamente a intensidade do tremor, mas o tremor em si e, principalmente, sua forma de lidar com ele.

Por que ele não passa, ele se naturaliza em nossas vidas.

E é exatamente nesse momento, em que a naturalização se completa, que você efetivamente cresceu.

Eu vou seguindo no aprendizado de convivência com esse novo elemento da vida, turbulências e tremores constantes e intermináveis, mas não intermitentes.

C’e la vie! (ta certo isso?!)

O prazer X a obrigação...

Decididamente nada é de graça!
Você tem uma vida ótima, mas a manutenção disto custa alo...
É nem tudo pode ser perfeito... E ainda que possa parecer isso não é uma reclamação, mas sim um desabafo.
Escrever por obrigação não tem a mesma produtividade e positividade em seu resultado final do que deixar fluir um espasmo de criatividade, como este por exemplo. Mas fazer o quê?

Tenho estado longe daqui, o que não queria.
Tenho estado longe do mundo, o que também não queria.
Tenho estado longe de mim...

Então como me aproximar meu objeto de pesquisa?

Mestrado é uma coisa engraçada. E errada ao mesmo tempo. Penso que deveria ser cursado em 3 e não dois anos.

Você passa a graduação vendo as mais variadas coisas e no fim, escolhe algo pra fazer um trabalho final de pesquisa.

No mestrado você já entra com a sua escolha, ainda que esta possa ganhar novos contornos no meio do caminho, e passa um ano longe dela... Aí no final disto: Volta aí filho, ta na hora de entregar o negócio! Putz...

Mas vai sair... como tudo sempre saí....

Mas confesso que sinto falta da liberdade setescentista que os grandes gênios podiam gozar, no desenvolvimento de suas descobertas...

Maldita modernidade... maldita pós-modernidade....

Bem, agora eu tenho que voltar ao trabalho: O RECREIO ACABOU!!!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Nota de esclarecimento!

Ando sem tempo pra escrever aqui, infelizmente. Ainda que a reitoria continue ocupada e a greve seguindo aos trancos e barrancos (literalmente). Mas enfim... mil coisas...
Mas essa nota não é sobre minha vido e/ou ocupações, é sobre possíveis interpretações negativas de meu texto anterior.
Não sou reacionária. Acredito que podemos e devemos construir uma universidade melhor. Apenas não concordo com os métodos de docentes, discentes e funcionários para tal.
Embora não tenha apresentado nenhuma proposta em minha postagem anterior, deixando-a talves vazia. Acredito que ao invés de pseudo revoluções devessemos realizar reais construções. União dos alunos deveria estar para além da ocupação, mas na elaboração de projetos aplicáveis.
Volto outro dia com mais tempo...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Acabou o amor, isso aqui vai virar um inferno???

Eu poderia jurar que era setembro de 2008, mas alguns estudantes de tanto sonhar com maio de 68, seja no Rio ou em Paris, acabaram por transmutar-se para o passado... nossa que poder...
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Me entristece ao máximo a situação estudantil da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, vulgo UERJ, local onde estudo. Ontem durante mais uma "Assembléia Estudantil" se é que podemos chamar disto, o que vi foi um aglomerado de pseudos (socialistas, marxistas, esquerdistas, PSOLsistas, PSTUsistas... e todos os “istas” possíveis, desde que sejam de “esquerda”) tentando forçar a barra para a aceitação de uma ingênua greve unificada, que no turno da manhã foi negada. Mas a noite...
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Não existe movimento estudantil na UERJ, e isso não é de hoje, bobo é quem acredita que “Camarão que dorme a onda leva”, estão todos dormindo acordados. Às vezes me parece que na impossibilidade de voltar a 1968, a repetição do episódio da USP já seria motivo para orgasmos múltiplos nesse “gurizada”. O que ninguém parece levar em consideração é que a realidade conjuntural da Estadual paulista é COMPLETAMENTE DIFERENTE da Estadual carioca.
Foi uma cena bem semelhante à vista há alguns anos atrás, quando eu ainda era uma daquelas ingênuas criaturas que acreditava na possibilidade de uma efetiva greve coletiva, entre professores, funcionário e alunos, na luta de melhorias reais para nosso ensino superior.
Mas como é possível uma greve conjunta num movimento estratificado?
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Professores se acham deuses (ou PHDeuses), esquecendo-se que além de serem servidores, como todos os outros funcionários, do faxineiro ao administrativo, também já foram alunos e colocando-se num plano superior que paira acima de todos os outros, decretam, ditam, impõe as regras do movimento, que cessará assim que o Cabralzinho anunciar o aumento, ainda que parcelado em 24 vezes sem juros e correção monetária. Como todas as outras vezes. Então me digam “companheiros” que unificação é esta???
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Votei contra a greve, porque não acredito que greve de professores resolva alguma coisa efetiva, nem mesmo o aumento que eles querem, com toda a justiça. Greve só funciona pra operário e olhe lá. Acho que nem o Lula acredita mais em greve. Muito menos acredito na efetivação de uma greve coletiva!
Ainda ontem, um professor do 12º, acreditem se quiser, colocou uma proposta inusitada, mas que acredito ser ao mesmo mais passível de reflexão do que essas inconsistentes greves de docentes. A dita proposta consistia em calcular o minuto trabalhado, num sistema de “regra de três”, no qual o valor do salário atual seria X e do salário pretendido Y, sabendo-se o valor do minuto, trabalhar-se-ia o tempo relativo ao que se deveria ganhar, assim haveria uma mobilização, sem maiores prejuízos para ambos os lados. Inaugurando dessa forma, uma nova forma de protesto e reflexão. Afinal o salário não é calculado e pago num sistema de horas/ aulas??? Sendo assim, se ganha menos, trabalha-se menos. Não é?
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A verdade é que mais uma vez a Universidade vai parar, por tempo indeterminado e nada vai ser feito. A Prefeitura do Rio e tantas outras instituições vão chamar seus aprovados que não poderão tomar posse por conta da individual-corporativista decisão dos docentes, continuaremos sem bandejão, sem alojamento, sem banheiros e estrutura de ensino descentes, sem dinheiro, sem aulas, sem... sem... sem...
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Ou seja, quem perde???
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E a história se repete... Podia jurar que os modernos já haviam quebrado esse ciclo de compreensão do mundo, mas às vezes acho que retrocedemos.

domingo, 7 de setembro de 2008

Ser "estranho" incomoda!



Lendo as críticas ao novo Cd de Marcelo Camelo, ou melhor ao que podemos ter acesso dele, pude ter certeza do quanto ser estranho incomoda. Quando digo estranho, poderia usar também a palavra diferente, mas como a crítica prefere a primeira a segunda, provavelmente por uma analogia a "cara estranho" do mesmo autor, vou ficar com a primeira mesmo.
Li as coisas mais variadas, mas aqui neste post, vou me ater a frase"corre o risco de ficar heterogêneo demais". O que é heterogêneo demais? Um cd precisa ser homogêneo?
Acho que essa crítica acerca da heterogeneidade do cd de Camelo, reflete na realidade um desejo humana pela homogeneidade do outro, do mundo. É mais fácil lidar com a homogeneidade, com o formatado, o rotulável. O estranho, diferente e heterogêneo – não que estas três palavras sejam sinônimas, mas estão próximas em relação ao que digo - assustam e intimidam.
Sofro com isso, não que seja alguém tipo, “gênio incompreendido”, mas minha heterogeneidade assusta. Ainda bem que encontrei o elemento que se mistura comigo... A vida é química!
Mas voltando ao Camelo.... a esse cd é Camelo! Estranho, diferente, heterogêneo e SINGULAR. Eu como fã, sou suspeita de falar, gosto muito dele, não só porque é diferente, mas porque é bom. É particularmente, singularmente bom.
Aliás, eu não sei por que as pessoas buscam tanta homogeneidade, será que ainda não perceberam que o mundo é um enorme conjunto de singularidades e particularidades?
Seguirei me deliciando com as dez músicas disponíveis, e pra quem quiser aí vão os links:
Por hoje é só pessoal!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Seria a História uma ciência?


Não há menos beleza numa equação exata do que numa frase correta.
Marc Bloch




Minha resposta a essa pergunta pode ser vista como anárquica, mas não gosto de prender a História às amarras da ciência. Por isso não a vejo como tal.
História para mim é algo que não está acima ou abaixo de ciência, simplesmente não faz parte dela. História é História. Como uma categoria distintiva da ciência.

Tal preocupação era pertinente num contexto de reconhecimento e legitimação da História enquanto disciplina. Mas acho que passado esse momento, as discussões sobre essa matéria já deveriam ter avançado. No mundo em que vivemos, um trabalho não legítimo perde sua força de ação. Contudo, há coisas mais importantes do que a discussão acerca da cientificidade ou não da História. Alias, vejo a discussão sobre a cientificidade de qualquer matéria um tanto vazia, para o momento em que vivemos.

A meu ver, deveríamos nos preocupar com os usos que fazemos da História, em seus aspectos individuais e coletivos.

Semana passada, ao terminar um texto do Hartog, em que ele entoa Certeau através da questão: "o que é que eu estou fazendo quando faço história?", me peguei pensando sobre isso, como se fosse uma conclamação aos que fazem História. Uma reflexão necessária, ao mesmo tempo individual e coletiva.

Por que, pra que, pra quem fazemos História? A resposta a estas perguntas deveria funcionar como guia de nossos trabalhos. Acredito que o trabalho do historiador deve estar para além da Academia. Escrever para o mundo e não para “um mundo”. Um mundo fechado e que insiste em não se abrir, em não se reciclar. Pra quem falamos de verdade?

Um trabalho historiográfico deve ter um sentido e finalidade acima do reconhecimento ou realização pessoal, deve ter um sentido coletivo, um sentido sócio-político efetivo.

Não quero dizer com isso que apenas História Política ou temas sociais tenham vez enquanto trabalho de historiador. Todos os temas têm sua vez, a questão não é o que se trabalha, mas como se trabalha. Assim, mesmo um trabalho de micro-história, se não trabalhado de forma superficial, se bem contextualizado, se produzido de forma a falar com “o mundo”, também será um verdadeiro trabalho histórico, ao menos na concepção defendida por mim.
Minha preocupação é com a História que não vem do coração e fala para poucos. Uma produção historiográfica comercializada, feita a toque de caixa e para a manutenção seja do status pessoal, seja do pão “seu” de cada dia.Quero que meu trabalho, que nossos trabalhos, tenham sentido, por quê, pra que e pra quem. É disso que sinto falta. É isso que os convido a refletir.

domingo, 24 de agosto de 2008

A genialidade do "ou não" de Caetano



Em meu primeiro post já deu pra perceber o uso deliberado de uma clássica expressão nacional, o famoso "ou não" de Caetano Veloso. Ao meu ver, esta grande sacação merece o "Troféu Joinha"* pelas possibilidades que apresenta em seu uso cotidiano, já que ao verbalizá-la, nos eximimos de qualquer responsabilidade de afirmação unilateral, garantindo a nossa fala, uma bipolaridade conveniente.Já pensaram nisso?
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Ao lado de "tchu in tchu in tchum claim", nosso nacionalíssimo e bahianíssimo "ou não" garante versatilidade, originalidade, e leveza a qualquer fala.
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São por essas e outras rezão, que venero e utilizo está célebre expressão.
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Ou não...


*A expressão Troféu Joinha não é de minha autoria, me foi apresentada por meu amigo Nemuel, de forma que desconheço a autoria, mas repasso os créditos.

Mais um blog para a lista!!!



Como já é de tradição e de acordo com meu estado de espírito e vontade, crio mais um blog. Tem gente que leva isso a sério, não é que esse não seja meu caso, eu realmente levo a sério, do meu jeito de levar a sério, todas as vezes que me proponho - e o faço - a criar um blog. Acontece que nem sempre tenho tempo, e a correria da vida acaba por deslocar o blog da minha lista de prioridades. É por isso que eles somem e/ou caem no esqucimento.
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Será este mais um caso? Espero que não.
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Não me forçarei a escrever, virei quando der na telha. Tão pouco divugarei-o loucamente, como fiz das vezes anteriores. Pequenas divulgações serão sufucientes e feitas no mesmo rítimo da escrita: a sabor de minhas vontades.
Gosto de escrever. E este blog nasce da conjunção de influências e energias do momento em que vivo.
Momento Prosaica, momento apaixonada, momento feliz e realizada, ou em vias de.
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Bem é isso...
Os post virão... ou não... o blog sobreviverá... ou não...Mas agora, bem, agora isso é o que quero...Ou não...