quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Acabou o amor, isso aqui vai virar um inferno???

Eu poderia jurar que era setembro de 2008, mas alguns estudantes de tanto sonhar com maio de 68, seja no Rio ou em Paris, acabaram por transmutar-se para o passado... nossa que poder...
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Me entristece ao máximo a situação estudantil da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, vulgo UERJ, local onde estudo. Ontem durante mais uma "Assembléia Estudantil" se é que podemos chamar disto, o que vi foi um aglomerado de pseudos (socialistas, marxistas, esquerdistas, PSOLsistas, PSTUsistas... e todos os “istas” possíveis, desde que sejam de “esquerda”) tentando forçar a barra para a aceitação de uma ingênua greve unificada, que no turno da manhã foi negada. Mas a noite...
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Não existe movimento estudantil na UERJ, e isso não é de hoje, bobo é quem acredita que “Camarão que dorme a onda leva”, estão todos dormindo acordados. Às vezes me parece que na impossibilidade de voltar a 1968, a repetição do episódio da USP já seria motivo para orgasmos múltiplos nesse “gurizada”. O que ninguém parece levar em consideração é que a realidade conjuntural da Estadual paulista é COMPLETAMENTE DIFERENTE da Estadual carioca.
Foi uma cena bem semelhante à vista há alguns anos atrás, quando eu ainda era uma daquelas ingênuas criaturas que acreditava na possibilidade de uma efetiva greve coletiva, entre professores, funcionário e alunos, na luta de melhorias reais para nosso ensino superior.
Mas como é possível uma greve conjunta num movimento estratificado?
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Professores se acham deuses (ou PHDeuses), esquecendo-se que além de serem servidores, como todos os outros funcionários, do faxineiro ao administrativo, também já foram alunos e colocando-se num plano superior que paira acima de todos os outros, decretam, ditam, impõe as regras do movimento, que cessará assim que o Cabralzinho anunciar o aumento, ainda que parcelado em 24 vezes sem juros e correção monetária. Como todas as outras vezes. Então me digam “companheiros” que unificação é esta???
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Votei contra a greve, porque não acredito que greve de professores resolva alguma coisa efetiva, nem mesmo o aumento que eles querem, com toda a justiça. Greve só funciona pra operário e olhe lá. Acho que nem o Lula acredita mais em greve. Muito menos acredito na efetivação de uma greve coletiva!
Ainda ontem, um professor do 12º, acreditem se quiser, colocou uma proposta inusitada, mas que acredito ser ao mesmo mais passível de reflexão do que essas inconsistentes greves de docentes. A dita proposta consistia em calcular o minuto trabalhado, num sistema de “regra de três”, no qual o valor do salário atual seria X e do salário pretendido Y, sabendo-se o valor do minuto, trabalhar-se-ia o tempo relativo ao que se deveria ganhar, assim haveria uma mobilização, sem maiores prejuízos para ambos os lados. Inaugurando dessa forma, uma nova forma de protesto e reflexão. Afinal o salário não é calculado e pago num sistema de horas/ aulas??? Sendo assim, se ganha menos, trabalha-se menos. Não é?
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A verdade é que mais uma vez a Universidade vai parar, por tempo indeterminado e nada vai ser feito. A Prefeitura do Rio e tantas outras instituições vão chamar seus aprovados que não poderão tomar posse por conta da individual-corporativista decisão dos docentes, continuaremos sem bandejão, sem alojamento, sem banheiros e estrutura de ensino descentes, sem dinheiro, sem aulas, sem... sem... sem...
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Ou seja, quem perde???
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E a história se repete... Podia jurar que os modernos já haviam quebrado esse ciclo de compreensão do mundo, mas às vezes acho que retrocedemos.

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