Eu poderia jurar que era setembro de 2008, mas alguns estudantes de tanto sonhar com maio de 68, seja no Rio ou em Paris, acabaram por transmutar-se para o passado... nossa que poder...
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Me entristece ao máximo a situação estudantil da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, vulgo UERJ, local onde estudo. Ontem durante mais uma "Assembléia Estudantil" se é que podemos chamar disto, o que vi foi um aglomerado de pseudos (socialistas, marxistas, esquerdistas, PSOLsistas, PSTUsistas... e todos os “istas” possíveis, desde que sejam de “esquerda”) tentando forçar a barra para a aceitação de uma ingênua greve unificada, que no turno da manhã foi negada. Mas a noite...
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Não existe movimento estudantil na UERJ, e isso não é de hoje, bobo é quem acredita que “Camarão que dorme a onda leva”, estão todos dormindo acordados. Às vezes me parece que na impossibilidade de voltar a 1968, a repetição do episódio da USP já seria motivo para orgasmos múltiplos nesse “gurizada”. O que ninguém parece levar em consideração é que a realidade conjuntural da Estadual paulista é COMPLETAMENTE DIFERENTE da Estadual carioca.
Foi uma cena bem semelhante à vista há alguns anos atrás, quando eu ainda era uma daquelas ingênuas criaturas que acreditava na possibilidade de uma efetiva greve coletiva, entre professores, funcionário e alunos, na luta de melhorias reais para nosso ensino superior.
Mas como é possível uma greve conjunta num movimento estratificado?
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Professores se acham deuses (ou PHDeuses), esquecendo-se que além de serem servidores, como todos os outros funcionários, do faxineiro ao administrativo, também já foram alunos e colocando-se num plano superior que paira acima de todos os outros, decretam, ditam, impõe as regras do movimento, que cessará assim que o Cabralzinho anunciar o aumento, ainda que parcelado em 24 vezes sem juros e correção monetária. Como todas as outras vezes. Então me digam “companheiros” que unificação é esta???
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Ainda ontem, um professor do 12º, acreditem se quiser, colocou uma proposta inusitada, mas que acredito ser ao mesmo mais passível de reflexão do que essas inconsistentes greves de docentes. A dita proposta consistia em calcular o minuto trabalhado, num sistema de “regra de três”, no qual o valor do salário atual seria X e do salário pretendido Y, sabendo-se o valor do minuto, trabalhar-se-ia o tempo relativo ao que se deveria ganhar, assim haveria uma mobilização, sem maiores prejuízos para ambos os lados. Inaugurando dessa forma, uma nova forma de protesto e reflexão. Afinal o salário não é calculado e pago num sistema de horas/ aulas??? Sendo assim, se ganha menos, trabalha-se menos. Não é?
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A verdade é que mais uma vez a Universidade vai parar, por tempo indeterminado e nada vai ser feito. A Prefeitura do Rio e tantas outras instituições vão chamar seus aprovados que não poderão tomar posse por conta da individual-corporativista decisão dos docentes, continuaremos sem bandejão, sem alojamento, sem banheiros e estrutura de ensino descentes, sem dinheiro, sem aulas, sem... sem... sem...
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Ou seja, quem perde???
Ou seja, quem perde???
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E a história se repete... Podia jurar que os modernos já haviam quebrado esse ciclo de compreensão do mundo, mas às vezes acho que retrocedemos.
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